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Correlação de Pearson (em inglês: correlation vs causation)

Correlação e Causalidade

Países que comem mais chocolate ganham mais Nobel. Afogamentos aumentam quando as vendas de sorvete aumentam. Correlação não é causalidade — e confundir os dois leva a decisões terríveis.

🍫 Correlação não é causalidade

Consumo de chocolate (kg/pessoa/ano)Prêmios Nobel per capita
r = 0.79
coeficiente de correlação
✗ Não causal
relação de causa
Países ricos tendem a consumir mais chocolate E ganhar mais Nobel. A variável oculta é riqueza — não o chocolate.

O que é correlação?

Correlação é uma medida estatística que quantifica o quanto duas variáveis variam juntas. O coeficiente de correlação de Pearson (r) varia de −1 a +1:

Valor de rInterpretaçãoExemplo
+1,00Correlação perfeita positivaTemperatura em °C e °F
+0,7 a +0,9Correlação forte positivaAltura de pais e filhos
≈ 0Sem correlaçãoNúmero do sapato e QI
−0,7 a −0,9Correlação forte negativaExercício e pressão arterial

Três mecanismos que geram correlação sem causalidade

O erro de confundir correlação com causalidade (em inglês: confusing correlation with causation) é um dos mais frequentes em divulgação científica. Há três mecanismos distintos:

🔍 Os três culpados

1. Variável de confusão (em inglês: confounding variable): uma terceira variável oculta causa as duas variáveis observadas. Chocolate e Nobel são ambos causados por riqueza — países mais ricos consomem mais chocolate E têm mais instituições de pesquisa.

2. Causalidade reversa (em inglês: reverse causation): B causa A, não A causa B. Países com mais médicos têm população mais saudável — mas talvez porque países saudáveis podem pagar por mais médicos.

3. Correlação espúria (em inglês: spurious correlation): pura coincidência. O número de filmes com Nicolas Cage lançados por ano correlaciona com afogamentos em piscinas nos EUA. Sem nenhum mecanismo plausível de ligação.

Como provar causalidade de verdade

O padrão científico para estabelecer causalidade é o experimento controlado aleatorizado (em inglês: randomized controlled trial ou RCT). Divide-se os participantes aleatoriamente em grupo de tratamento e grupo de controle, aplica-se a intervenção apenas no grupo de tratamento e mede-se a diferença.

A aleatorização distribui aleatoriamente todas as variáveis de confusão entre os grupos, eliminando o efeito delas. Por isso os ensaios clínicos randomizados são o padrão-ouro em medicina.

Quando experimentos são impossíveis (ética, escala, custo), economistas usam técnicas como diferenças em diferenças, variáveis instrumentais e regressão descontínua — formas de aproximar as condições de um RCT sem realizá-lo.

Correlação e dezenas de loteria

É comum encontrar análises que identificam pares de dezenas que "saem juntas" com frequência acima do esperado na Lotofácil. Isso é correlação — mas não causalidade. Não existe nenhum mecanismo pelo qual uma bolinha de sorteio influencia outra no tambor.

Com 3.700 concursos e C(25,2) = 300 pares possíveis de dezenas, é estatisticamente esperado que alguns pares apareçam juntos mais vezes que a média por pura variação aleatória. Isso é variação de amostragem (em inglês: sampling variation) — não evidência de padrão real.

A regra: sempre pergunte se há um mecanismo causal plausível antes de concluir que uma correlação significa algo.

Resumindo em 4 pontos

  1. Correlação mede co-variação — r próximo de ±1 indica relação forte, r ≈ 0 indica ausência de relação linear.
  2. Correlação pode surgir por variável de confusão, causalidade reversa ou pura coincidência.
  3. Só experimentos controlados aleatorizados (RCT) estabelecem causalidade com rigor científico.
  4. Na loteria, pares de dezenas com alta co-ocorrência são variação aleatória normal — não padrão causal.

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