Dicas e estratégias
Fechamento: a matemática real por trás da técnica
Fechamento é provavelmente a técnica de loteria mais mal-entendida que existe — não porque seja complicada, mas porque costuma ser vendida como se fosse mágica. Não é. É combinatória pura, e dá pra entender o princípio inteiro com um exemplo de quatro números. O mesmo princípio se aplica tanto à Lotofácil quanto à Mega-Sena; o que muda é só a escala (pool maior, mais combinações, mais jogos necessários).
O que fechamento NÃO faz
Fechamento não aumenta a chance de as dezenas que você escolheu serem as dezenas sorteadas. Escolher um conjunto de 18 dezenas não te dá mais chance de "acertar o pool" do que escolher qualquer outro conjunto de 18 dezenas — isso é determinado só pela combinatória, igual pra todo mundo. Se alguém te vender fechamento como "técnica que aumenta sua sorte", já pode desconfiar.
O que fechamento realmente faz
Fechamento garante cobertura dado que uma parte do que você escolheu estava certa. A diferença é sutil mas é tudo: ele não muda a chance de você ter escolhido certo, mas garante que, se você tiver escolhido certo (ainda que parcialmente), isso vai aparecer em pelo menos um dos seus jogos — em vez de depender de sorte adicional pra essa parte certa cair concentrada num único bilhete.
O exemplo menor possível
Imagine uma loteria de brinquedo que sorteia 2 números entre 1, 2, 3 e 4. Existem exatamente 6 sorteios possíveis:
(1,2) — (1,3) — (1,4) — (2,3) — (2,4) — (3,4)
Se você jogasse um único bilhete com 2 números, sua chance de acertar os dois seria 1 em 6. Agora, em vez de escolher só um par, escolha um pool de 3 números — digamos, 1, 2 e 3 — e jogue todos os pares possíveis dentro desse pool: (1,2), (1,3) e (2,3). Três bilhetes em vez de um.
Repare o que acontece: dos 6 sorteios possíveis, exatamente 3 têm os dois números dentro do seu pool de 3 — são justamente (1,2), (1,3) e (2,3), os mesmos 3 que você jogou. Ou seja: sempre que o sorteio sai inteiro dentro do seu pool, um dos seus bilhetes acerta os dois números, garantido, sem depender de sorte extra. Os outros 3 sorteios possíveis — (1,4), (2,4) e (3,4) — envolvem o número 4, que está fora do seu pool, então nenhum fechamento do mundo ajudaria nesses casos.
A chance de o sorteio cair inteiro dentro do seu pool de 3 continua sendo exatamente o que a combinatória diz que deveria ser (50%, nesse exemplo pequeno) — fechamento não mexeu nisso. O que ele garantiu foi que, quando isso acontece, você não depende de mais nenhuma sorte pra converter isso num acerto.
Escalando pro tamanho real
A Lotofácil sorteia 15 dezenas entre 1 e 25 — bem maior que o exemplo acima, mas o princípio é idêntico. Se você escolhe um pool de, digamos, 18 dezenas e joga todas as combinações de 15 dezenas possíveis dentro desse pool (o fechamento "completo"), você garante o prêmio máximo sempre que as 15 dezenas sorteadas estiverem dentro do seu pool de 18 — só que isso já dá milhares de jogos, e fica caro rápido.
É aí que entra o fechamento reduzido: em vez de jogar todas as combinações possíveis do pool, ele usa desenhos combinatórios (uma área de matemática focada exatamente nesse tipo de problema de cobertura) pra selecionar um subconjunto bem menor de jogos que ainda garante uma pontuação mínima — não o prêmio máximo, mas, por exemplo, "pelo menos 13 pontos em algum jogo, se pelo menos 13 das suas dezenas escolhidas estiverem entre as sorteadas". É uma troca: menos garantia por muito menos jogos.
Calcular manualmente qual conjunto mínimo de jogos garante qual nível de pontuação é um problema combinatório difícil de resolver à mão pra pools grandes — é exatamente o que a calculadora de fechamentos e o otimizador de bolão deste site fazem por você.